quinta-feira, 18 de abril de 2013

Uma noite de tempestade e uma cabana assombrada...



           Em um dia de tempestade, encontrar um lugar para descansar, pode ser assustador...


      Meu pai era um dos caçulas de uma família de 15 filhos. Por volta de 1940,
meu pai que estava com 11 anos, tinha um irmão bem mais velho que ele. Esse meu tio que era conhecido como Juquinha, já era casado e tinha filhos. Precisou viajar e naquela época essa viagem seria feita sobre um belo cavalo, na época muitos homens viajavam assim. 
      Meu tio despediu-se da família e se foi, pelos sertões de Minas Gerais, em sua bela montaria. Ao cair a noite, foi surpreendido por uma tempestade assustadora. Muitos raios riscavam o céu, como se fossem cortá-lo e o barulho que vinha a seguir era ensurdecedor. Tio Juquinha, preocupado não apenas com ele mas também com seu cavalo, decidiu que precisava com urgência encontrar um abrigo. Andou mais alguns minutos e ao longe avistou uma cabana que parecia abandonada. Chegou à porta e por vias das dúvidas gritou ô de casa, como faziam as pessoas daquela época. Nenhuma resposta, apenas o silêncio da madrugada misturado com o som dos raios. Empurrou a porta da frente que abriu com facilidade e entrou meio desconfiado, porque naquela época, existiam muitos ladrões e até assassinos andando por aquelas bandas. Ao meio a escuridão e os clarões repentinos dos raios, percebeu que havia um colchão velho no chão em um quarto à frente. Acender o fogão seria impossível, pois os fósforos que trouxera, estavam completamente molhados. Tão cansado que estava, arrumou um canto para o cavalo, água e um pouco de feno que havia encontrado em um estábulo ao lado da cabana e foi se deitar, para logo aos primeiros raios de sol, seguir viagem. Mal começou a cochilar, ouviu o trotar de outro cavalo se aproximando e ficou quieto. Ouviu quando alguém retirava a sela do cavalo e a pendurou em algum lugar ali perto dele, pois ele ouvia o barulho. Ficou atento, pois poderia ser um daqueles bandidos que andavam por ali.De repente, ouviu um som vindo da cozinha, barulho de lenha sendo colocada no fogão e peças de ferro entrando em atrito, com certeza quem estava ali também tinha fósforos molhados e acenderia o fogo assim. o som das esporas do homem andando de um lado para o outro era bem assustador. De repente, um cheiro de café coado na hora invadiu o quarto onde meu tio estava e ele pensou, vou lá. Mas pensou de novo e se esse homem estiver armado e pensar que sou um daqueles bandidos e atirar em mim? E se ele for um bandido que faz o café mais cheiroso em um dia de chuva como esse? Melhor não arriscar por uma xícara de café. E decidiu não sair dali, ficar o mais quieto que pudesse. Nessa espera acabou adormecendo...


                                            Pela manhã tudo se esclarece...


        Logo que percebeu entrar um raio de sol, se lembrou de tudo que havia acontecido, mas agora era outro tipo de cheiro que ele sentia. Um mal cheiro horrível que ele não se sabe porque, não havia percebido na noite anterior. Colocou um lenço no rosto e foi inspecionar o ambiente. Antes de sair daquele quarto, notou que no gancho onde se pendura as selas era impossível alguma sela ter sido pendurada ali naquela noite, pois a quantidade de teia de aranha que havia nela era enorme. Achou estranho, mas não se abalou. Foi até o fogão conferir se não havia sobrado um pouco daquele café e para seu espanto, viu que também alí naquele fogão não poderia ter sido feito nenhum café. As lenhas estavam molhadas e até com cogumelos nascendo, o bule estava todo enferrujado e também em torno do fogão, havia uma quantidade enorme de teia de aranha, mostrando que há muitos anos ninguém cozinhava nada ali. Nessa hora um calafrio lhe correu pela espinha correu no quarto, para pegar a sela que deixara no chão e percebeu que o mal cheiro era mais forte ali. Olhando em um canto viu algo coberto com um lençol, levantou e deu de cara com um cadáver em adiantado estado de putrefação...

        Dizia meu pai, que meu tio nem sabe como colocou a sela no cavalo, só sabe que saiu dali a galope.Como ele era um homem de muito bom humor,  meu pai dizia que quando ele contou essa história, falou que quase colocou o cavalo nas costas para sair dali mais depressa rsrsrsrsrsrs. Chegando a um vilarejo próximo, contou o ocorrido a algumas pessoas que lá estavam, que nem mesmo se espantaram com a história dele, apenas disseram; olha seu moço, você não é o primeiro que conta alguma coisa estranha daquela cabana não. Aqui o que todos comentam é que ela é assombrada, ninguém aqui do vilarejo, passa nem perto de lá, muito menos uma noite.
        E até antes de morrer não sabia explicar o que havia acontecido ali. Somente de uma coisa ele tinha certeza, ninguém além dele havia estado naquela cabana naquela noite...

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